segunda-feira, 14 de março de 2005

Vou ali comprar um carro e já volto

Mais determinada e mulher de ação repentina que minha mãe... não conheço (eu chego perto). Quando encasqueta com alguma coisa, não sossega enquanto não realiza.
Como contei, eu estava vindo trabalhar de ônibus, pra minha mãe ficar com meu carro e levar a Carolina pra escola. Durante uns 15 dias paguei as passagens em dinheiro, aguardando chegar meu cartão de vale transporte.
Realmente Curitiba tem um sistema espetacular com relação ao transporte coletivo. Tudo eletrônico, a empresa paga um boleto para a prefeitura no valor das passagens de seus funcionários, e através de um arquivo eletrônico, cada funcionário recebe os créditos em seu cartão.
Na verdade é um cartão de crédito pra pobre, só compra passagem de busão, mais nada... mas é interessante.
Pois bem, no dia primeiro de março meu cartão chegou, e para receber meus créditos teria que passar por um terminal de ônibus, encontrar uma maquininha, enfiar o cartão lá dentro e... "voalá"... tá lá seus créditos.
No dia seguinte estréia total do cartão... piiiiiii... aparece no visor: "seu saldo é de 41 créditos".
Estava indo bem até que... bem... até que a Dona Lira achou que não estava bom o esquema.
"Preciso comprar um carro"... foi isso que ela disse... e eu só pensei... "esse ano não vai rolar, estamos todos quebrados, sem nenhuma reserva de dinheiro e com prestações até o pescoço"
Não dei muita bola.
Tá, daí, de tarde, no mesmo dia em que eu estréio meu cartãozinho de crédito popular, ela me liga de algum lugar.
- Comprei um carro !!!
- O que ??? Como ?? Com que dinheiro ??
- Pedi uma grana emprestada!
- Quanto ??
- Um barão e meio.

Imaginei que seria um carro velho, barato, afinal com mil e quinhentos reais de entrada o que se pode comprar ??
Mas ela não dá ponto sem nó... e faz parte da cAsA dAs loucAs, então, nada surpreende.
Saiu da loja com um corsa, quatro portas, motor um ponto SEIS, ano dois mil e UM !!!!
Imagino ela chegando na loja:
- Quero ver um carro, quatro portas e motor um ponto seis.
- Pois não senhora, qual o valor que a senhora está procurando ?
- Qualquer valor
- (ótimo) - deve ter pensando o vendedor - (essa vai pagar à vista).
- Nossa, esse aqui tá bonitinho, quanto estão pedindo por ele ?
- Quinze mil e quinhentos reais !!
- Ótimo, vou levar.

Na hora do acerto...

- Bom, eu tenho um barão e meio e quero financiar o resto.
- (cara de desgosto do vendedor) - Sem problemas minha senhora !! A senhora tem 9,6% pra dar de entrada e o restante em quantas parcelas ?
- Trinta e seis, bem suaves, por favor, capricha no juro !!
- Claro, temos os melhores (ugh) juros do mercado.

No dia seguinte eu já não precisava mais do meu cartão de crédito de pobre... e agora ela está feliz e contente, com um carnê do tamanho da Biblía, andando pra lá e pra cá de carrinho novo !!
É louca ou não é ??? (bem... se ela pode pagar as prestações, tá ótimo, louca pior seria se não pudesse bancar, o que seria o MEU caso se fizesse o mesmo, mas que às vezes dá vontade de se fazer de louca e trocar de carro, ah isso dá !!)  
   

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