terça-feira, 14 de junho de 2011

Bullying

Era uma vez seis meninas de uma mesma sala de aula que eram muito amigas, uma das "panelinhas" da turma de sétima série, todas adolescentes em pleno BOOM hormonal, com seus 12 ou 13 anos de idade.
Falavam de meninos, falavam de meninas, discutiam gosto musical e preferência visual, contavam segredos pessoais e confessavam seus desejos mais íntimos, dormiam umas nas casas das outras, tiravam fotos juntas na escola ou em festas e publicavam em suas redes sociais com as mais lindas palavras de amizade.
Quem visse logo imaginava que eram amigas de verdade, apesar de ser perceptível a diferença de personalidade entre elas, contornavam as discussões, engoliam alguns sapos em nome da paz entre o grupo. 
Grupinho "tenso", pauta de algumas reuniões com a professora regente, conselhos e sugestões de mãe para filha sempre que possível, muita conversa a fim de minimizar possíveis problemas de rendimento escolar por conta de distrações, fugidas ao banheiro em bando, falta de empenho na realização de trabalhos.
Eis que surge um trabalho em grupo a ser feito, a professora não é boba e percebe que apenas uma pessoa do grupo empenhou-se em faze-lo, a bronca nas demais é dada e o fim da amizade é decretado!
Bullying, isolamento, cara feia e todo tipo de retaliação.
Na saída da escola, lágrimas no ombro da mãe por estar sendo ignorada pelas demais.
A mãe intervém e a professora conversa com o grupo todo, que nega as acusações, diz que nada tem a ver com o trabalho ou com a bronca, que é tudo coisa da cabeça da menina.
Tudo "parece" bem e normal, não fosse o fato de anônimos começarem um forte bullying virtual, deixando recados grosseiros, ofendendo e magoando a menina, e ainda por cima gerando a dúvida e a intriga sem deixar claro "quem era" a pessoa escrevendo coisas tão íntimas, tão pessoais, que somente pessoas próximas saberiam o quanto determinadas palavras a magoariam.
Durante as aulas aquela falsidade típica da idade, aquela mentira "inocente" do "está tudo bem", quando no fundo queriam mesmo era falar poucas e boas para a menina.
Longe da aula os recadinhos maldosos continuavam.
A mãe teve que intervir novamente, dessa vez por escrito solicitando, se necessário, uma mudança de turma, falando abertamente sobre o ocorrido, pedindo ajuda para que o problema fosse contornado e comunicando que a filha já não iria mais para as aulas, afinal já estava praticamente aprovada por média, e não precisava passar pela humilhação de ser fortemente atacada virtualmente.
Coordenação, diretoria e até moça do cafezinho foram chamadas para conversar com o grupo de 5 garotas que isolaram maldosamente e abertamente a sexta integrante do grupinho.
Após essa conversa a mãe foi chamada para um esclarecimento geral, com professora regente e coordenadora. O papo pendeu para o lado "veja bem, elas dizem que não fizeram nada", ou então, tentando colocar a vítima como provocadora da situação, de forma inocente, bla bla bla, e que a mudança de turma para o próximo ano seria "ainda analisada" pelo conselho, enquanto a mãe EXIGIA a mudança. Diante disso não foi mais possível poupá-las dos detalhes sórdidos, e então a mãe, com lágrimas nos olhos, contou o que exatamente estava escrito nas mensagens anônimas, que não provavam a autoria, mas dizia com certeza que se tratava de pessoas íntimas, que só amigas saberiam aqueles detalhes, e somente pessoas desprovidas de sentimentos e educação seriam capazes de escrever aquele tipo de ofensa.
Diante disso, ambas ficaram estarrecidas com o conteúdo das publicações, e entenderam o motivo da agonia daquela mãe, porém não concordaram em privar a menina das aulas, incentivaram a presença dela em sala de aula, como forma de superar a ignorância e infantilidade do grupo.
A mãe saiu da reunião mais aliviada, quando chegou em casa encontrou novas publicações ofensivas, e imediatamente retornou à escola com as provas na mão, exigindo a garantia de mudança de turma para o próximo ano, sem negociações ou análises de conselho.
Prontamente a mãe foi atendida, a garantia de que não estaria na mesma turma que nenhuma das outras meninas foi dada, afinal, como seria possível a menina confiar em alguma delas novamente?
Nunca mais a amizade seria a mesma, com nenhuma delas...
O ano mudou, nova turma chegou, o grupo foi separado...
Duas delas procuraram a menina e disseram que não haviam escrito nada daquilo, que as ofensas não partiram delas, que ambas estavam arrependidas por ter compactuado com essa atitude, e até onde se sabe romperam o laços com o grupo.
Outras duas continuaram com ironias e indiretas online, nunca mais olharam na cara da menina, e que assim continue, afinal, diga-me com quem andas e te direi que és. Antes só do que mal acompanhada.
E uma delas se mostrou solidária, mas continuou amiga de todas, ou seja, nada confiável, a que quer ser amiga de todas, que está sempre em cima do muro e pula pro lado mais forte quando necessário, como saber que não foi exatamente ela a propagadora das ideias? Mesmo que ela negue, mesmo que tenha pedido desculpas, mesmo que se diga sempre amiga, por alguns momentos ela não foi amiga o suficiente para ir contra essa palhaçada toda, e só por isso já não merece mais a amizade sincera que a menina tinha por ela.

A vida segue.... não importa o sobrenome, não importa o saldo bancário do pai, tão pouco o modelo do carro importado da mãe... o que vale mesmo nessa vida é a educação recebida, o amor ofertado pelos pais, os valores defendidos pela família, e sim, um pouco de caráter de cada um, mesmo adolescente já se percebe quem mente, quem é do bem, quem é do mal e quem é dissimulado.

Um comentário:

  1. Nossa, Ilana, a vida às vezes não é fácil, hein? Ainda bem que temos força pra enfrentar as barras e sorrir pela beleza da vida que - ainda bem - não deixamos de enxergar!
    bjo grande,
    Dulcinha

    ResponderExcluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...