Tirar meleca do nariz de crianças que ainda não aprenderam o ofício pode ser uma tarefa difícil. Prova disso está sendo a Carolina.
Com a Camila minha tática funcionava, talvez com a Carolina dê certo também daqui algum tempo, quando ela entender melhor a minha brilhante história.
Toda vez que eu precisava enfiar aquele incômodo cotonete no nariz da Camila eu começava a inventar personagens para os "tatus". Geralmente os nomes dos melequentos amiguinhos eram "Denise e seu irmão Paulinho".
- Olha Camila, tô vendo uma baita Denise aí dentro, ela tá dizendo que quer sair pra passear.
A Camila ficava quietinha (mais ou menos) e eu conseguia retirar a Denise de lá, sã e salva. Quando a Denise saía mas ainda restava alguma coisa lá dentro, então era a vez do Paulinho se rebelar.
Às vezes eram "monstros" enormes que estavam habitando aquele lugar, e aí a exclamação chamava mais a atenção dela do que o ato em si.
- Noooooooooooossa.... esse é grande, Camila !!!
Diálogos eram travados entre Denise e o monstro. Paulinho, seu frágil irmão estava em perigo e precisava ser salvo !!!
- Tira mãe !! Salva a Denise!!!
Salva o Paulinho!!!
E assim eu conseguia executar uma tarefa chata, mas extremamente necessária !!
Hoje em dia não encosto mais a mão no nariz da Camila, já faz um tempo que ela aprendeu sozinha como se virar com os habitantes do seu nariz, mas houve uma época em que eu os encontrava vivendo em grupos, todos colados na parede ao lado da cama

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