sexta-feira, 15 de março de 2013

Bichos de Estimação: Compra x Adoção

Sempre amei cachorros, desde criança lembro das inúmeras vezes que pedi um cachorro para minha mãe. Tenho uma cicatriz no rosto até hoje causada por uma mordida de cão (que quase me acertou o olho). Eu tinha uns 5 anos (ou menos) e estava na casa de uma vizinha, a lembrança é viva e muito real, lembro da cara do cachorro inclusive, eu deitei no chão, com a barriga pra baixo e fiquei "nariz com nariz" com ele, segurando com força pelas orelhas, eu queria dar um BEIJO, mas quem me "beijou" com os dentes foi ele.

Trauma? Sim. Com certeza.

Passei a ter medo de cachorro, mas continuei amando.

Por volta de 10-11 anos de idade eu sempre tinha que ir a pé na casa da minha vó, e no caminho havia muitos cães na rua, alguns deles avançavam nas pessoas que passavam, eu ficava imóvel entoando uma reza que minha mãe mandava eu fazer: "São Roque, São Roque, não deixe que esse cachorro me toque". Depois de alguns segundos eu começava a andar devagarinho e o cachorro me deixava passar. Nessa mesma época vi também o cachorro da minha tia cravar os dentes na perna do meu irmão, um horror, tadinho. Memórias caninas da minha infância!

Meu gatinho preto, Chico.
Em uma ocasião levei pra casa um bicho que achei na rua. O Chico, um gato preto lindão. Permaneceu conosco durante muitos anos, quase não parava em casa, vinha comer as cabeças de galinha que eu comprava na mercearia em Caxias do Sul. Quando viemos morar em Curitiba, eu tinha 13 anos, e deixei o Chico com os novos donos da casa. Ele ainda viveu por muitos anos lá, e depois sumiu, deve ter morrido, claro, de velho.

Em Curitiba viemos pra morar em apartamento, minha mãe nunca gostou de bichos, especialmente cachorros (ela não sabe lidar com eles, são ETs para ela), e eu já nem falava mais em ter um, aliás, o medo deles ainda permanecia em mim. 

Quando comecei a namorar o Júlio (pai das minhas filhas), meus sogros tinham o Oliver, um Yorkshire lindo. Vocês acreditariam se eu dissesse que a primeira vez que fui na casa deles eu não entrei por medo do cachorro? Paralisei, pensando no São Roque, o bichinho latia muito, e só depois que alguém o segurou no colo que eu entrei. Vergonha, me deixem. Depois de um tempo é claro que vi que ele não demonstrava perigo e aí eu vivia fazendo carinho nele, aquele amor contido nunca me largou, é fato.

Teddy
Enquanto adolescente tive tartaruga e hamster. Depois que as filhas nasceram dei um coelho para Camila, tivemos aquário, a Carol teve tartaruga, peixinho, hamster, e até dois cachorros (por pouco tempo, é claro), um poodle vira-lata (Teddy) e uma vira-lata pura, a Kika Ralio.

 O Teddy morou uma semana com a gente. Infelizmente a Kika também não durou muito, apenas alguns meses. Eu trabalhava fora o dia todo, a cadelinha ficava em casa com minha mãe, a empregada, Carol tinha 3 anos, Camila 9, e todas despreparadas para cuidar de um cachorro.

KIKA RALIO
A Kika foi muito mimada, voltava do petshop sempre com roupa nova, mas era um bebê e aprontava muito, além de ter um defeito que inviabilizou tudo: ela pulava e avançava nas pessoas. Mas não era um pulinho fofo que cachorro dá, sabe? Eram pulos na altura da cintura da gente... meio genético pois os pais dela pulavam uma altura absurda que eu constatei quando fui resgatá-la. Como ela ficava mais tempo com a empregada, e iriamos viajar, a empregada levou a Kika pra casa dela, com casinha e acessórios todos. Conclusão: Kika mora lá até hoje, e nós ficamos sem cachorro mais uma vez.

Koda, o cão
A Camila sempre teve medo de cachorro, apesar de pegar no colo, é só o bicho rosnar que ela já não sabe o que fazer, Carolina idem, eu nunca tive EFETIVAMENTE um cachorro, mas vontade de cuidar de um, sim. Sempre que vamos ao shopping paramos para ver os filhotes na vitrine do petshop, numa dessas vezes um cão diferente, de uma raça diferente, olhou pra mim, mas olhou no olho, profundamente, e olhou de novo, e eu me apaixonei por ele. Era o Koda. COMPREI, fui pra casa feliz da vida e entrei no mundo canino. Em 2005 nem Facebook eu tinha... meu mundo era blog de mãe, criei a Trevisart, e o mundo dos bichos não era do meu interesse. 

Daí que hoje existe Facebook, redes sociais, muita  informação, e eu passei a me interessar pelo assunto, quer dizer, estou decidida a fazer dar certo, a ultrapassar os poucos meses que fiquei com outros cães e por falta de experiência só me resta pesquisar, ler, ir atrás de dicas para uma boa convivência e termos sucesso com o bichinho.

Acontece que mergulhei demais nesse mundo e descobri que eu (praticamente) cometi um crime! EU COMPREI UM CACHORRO! Sim, eu PAGUEI pra ter um cachorro de raça, e isso faz de mim uma pessoa vaidosa, egoísta, sem coração. Pelo menos é o que eu leio todos os dias nos perfis de proteção animal. Tenho muita vontade de ajudar essas ONGs que recolhem animais da rua, veja tanta foto de cachorro doente, atropelado, mal tratado, e eu não faço nada, o máximo que faço é comprar uma rifa, isso tudo porque eu paguei por um cachorro e sabe lá o que essa gente, que acha que o fiz por vaidade, vai pensar.

Eu JAMAIS imaginei que para ter um cachorro de raça eu estaria financiando maus tratos, canis clandestinos, atrocidades com cães matrizes, mantidos presos e procriando sem parar. Eu JAMAIS imaginei que pagar por um cachorro financiaria uma rede de exploradores de cães. SOU INOCENTE! Eu não sabia! Eu não sabia!

Agora eu sei, mas o meu questionamento mudou, e não tenho coragem de perguntar para quem entende do assunto, pois vão me julgar, mas a dúvida é a seguinte: se não devemos COMPRAR cães de raça, o que será deles, que fim terão? Como preservar as raças? Existem canis confiáveis? Posso pagar para ter um cachorro se eu souber a procedência do canil? Como posso ter certeza que o canil não escraviza cães?

Fiquei pensando nisso, e não chego a nenhuma conclusão, pois não é politicamente correto falar no assunto. Se alguém quer um cão a primeira coisa que passa pela cabeça é "comprar". Mas como dinheiro não dá em árvore, "ganhar" é mais vantagem, foi assim com a Kika, eu não adotei, eu ganhei (na minha ignorância do assunto eu nem sabia que tinha adotado, pra mim eu ganhei um cachorro, mesmo que vira-lata, eu não fazia ideia que haviam lugares que doavam cães, hoje eu sei disso).

Assim como eu desconhecia o assunto, acredito que MUITA gente que nem tem bicho de estimação, ou que tem porque ganhou, saiba disso tudo também. Não somos obrigados a tomar conhecimento de todas as mazelas do mundo, mas tem gente que não entende isso, tem gente que julga, xinga e acusa como se todo dono de um cãozinho de raça fechasse os olhos para esse "mundo cão".

Por enquanto estou fazendo minha parte, cuidando muito bem do meu Koda, ele já está castrado desde os 6 meses, vacinado, banho toda semana, ração da melhor, anti-pulgas mensal, ossos novos para roer, e muito amor, muito carinho, mesmo ele sendo um chato, às vezes... rsrsrsrs

Quando eu me aposentar terei vários cães adotados, tenho certeza, por hora continuarei ajudando na causa, é o que me "tocou" no momento.


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